Subidas x Bicicletas de Triatlo e Contra-relógio

Marcelo Rocha

 

           Muitas vezes ficamos entre a cruz e a espada na escolha de uma bicicleta ideal para a modalidade que praticamos. As bicicletas de contra-relógio e triatlo possuem características próprias que as diferem das demais não só pelo design, mas também pela sua função. Nas subidas essas bicicletas têm uma ligeira perda de eficiência em relação às demais (dependendo da posição do ciclista) justamente por conta de seu projeto, mais especificamente o ângulo do tubo do selim. Uma bicicleta de estrada possui em média um ângulo de tubo de selim com 73.5 graus, enquanto que uma bicicleta de triatlo ou “crono” tem de 78 a 75 graus. E qual a implicância dessa diferença nas subidas? Normalmente em uma subida longa e íngreme, na medida em que a intensidade da subida aumenta o ciclista de estrada se senta ligeiramente mais atrás do selim para aumentar a alavanca da pedalada e aumentar o trabalho dos glúteos; uma musculatura bastante forte e resistente. Notem que quando o atleta toma essa iniciativa ele diminui ainda mais o ângulo do tubo do selim (que é em média 73.5 graus, já é bem menor do que o de triatlo ou crono).

 

            Pois bem, numa bicicleta de triatlo ou “crono” onde a posição de cruzeiro do atleta é o clip, quando em uma subida longa e íngreme ele sai do clip e coloca as mãos no guidão elevando assim o seu tronco. E é aí que mora o problema; quando o atleta toma essa iniciativa numa bicicleta com uma angulação muito alta no tubo selim (75-78 graus) por mais que ele sente mais atrás do selim, ele continuará em um ângulo muito alto dificultando o trabalho dos glúteos, perdendo eficiência. Imagine um pedaço de corda amarrado lá em cima em um osso próximo à base da coluna e a outra ponta lá embaixo na lateral do fêmur; quando o tronco fica muito em pé, essa “corda” folga e dificulta o seu trabalho, pois não tem uma tensão ideal. Esse é o glúteo: para que ele trabalhe bem, assim como todos os outros músculos, ele deve estar “pré-estirado”.

 

            Então vai aí uma dica para que você que possui só a bicicleta de crono ou triatlo, e de vez em quando faz pedais com subidas: nas subidas em que for possível, continue no clip a maior parte do tempo para que você aproveite o trabalho dos glúteos. Essa dica serve principalmente aos triatletas que devem aprimorar sua pedalada ao máximo poupando a musculatura da coxa, para que depois possam correr com eficiência.